A graça com graxa
Já se foi o tempo em que as mulheres eram vistas como inferiores, frágeis, submissas? Sim, justiça humana se já feita, já se foi tarde. A sociedade ‘antiga’ sempre queria induzir que as mulheres não sabiam se virar sozinhas, e que só sobreviviam através da proteção masculina. Hipocrisia, porque muitas são as histórias em que quem servia de pilar para a relação e avanço profissional era sim a mulher e não o homem.
Pois bem, apesar da dita superação e da entrada cada vez mais freqüente no mercado de trabalho, muitas profissões ainda são vistas como masculinas demais para as mulheres. A de trabalhador em postos de combustíveis pode ser enquadrada nessa leva.
Muitas pessoas ainda estabelecem certa resistência para com mulheres abastecendo carros, trocando pneus ou vendo o nível do óleo. E há as esposas que não querem que o marido abasteça em tal posto porque uma mulher bonita e simpática irá atendê-lo. O profissionalismo e eficácia no atendimento às vezes ficam camuflados em pré-conceitos sem sentido.
Porém muitas mulheres não se sentem capazes ou têm tanto medo de serem surpreendidas com uma ‘cantada’ que, ao se candidatarem ao um emprego em posto de combustíveis, preferem optar pela opção “interesse em trabalhar na parte administrativa”.
É claro que não se pode esquecer que o machismo ainda opera, e muitos donos de postos não dão oportunidades a mulheres por simples ignorância. Porém as mulheres já bateram o pé e mostraram, em inúmeras situações, que podem fazer um trabalho tão bom ou até melhor que qualquer homem. O que falta é elas se convencerem de que um posto de combustíveis também é lugar para elas, e que se sujar é só um simples detalhe, porque a ‘sua graça’ não se perde com a graxa.
Veja a reportagem
Mulheres frentistas são apenas 20% no mercado

















