E como é o relacionamento entre cliente e funcionários?
Por Aline Brandalise, Fabiana Genestra, Felipe Ribas e Juliane de Oliveira
“Não servimos clientes, mas sim amigos.” Essa é a frase mais ouvida ao se questionar um profissional de casas de diversão sobre o relacionamento com as pessoas que vão até o estabelecimento em que trabalham.
Claudio Shimagaski, barman de casa noturna, comenta que o cidadão que se desloca até um local para se divertir, geralmente, quer se livrar do estress do cotidiano. “As pessoas vêm aqui porque têm problemas. Então a gente escuta e acaba até servindo como psicólogo”.
O barman, que trabalha durante o dia como motoboy, acredita que o cliente não quer apenas consumir, mas sim ter alguém para desabafar e falar sobre coisas que, em casa, não seria possível.
Priscila Alves, atendente de telemarketing, conta que a interação entre consumidor e atendente garante que os dois lados possam se divertir. “Tenho muitos amigos que trabalham em casas noturnas. Enquanto eu estou festejando, eles me servem. Mesmo assim, tenho certeza que é legal para eles também”.
Mas nem tudo é diversão. Os mesmos trabalhadores que admitem se divertir enquanto trabalham reclamam da falta de consideração de algumas pessoas. “Se eles não pagam a conta, sai do meu bolso. Isso não pode”, comenta Israel Santos, caixa e atendente de uma casa noturna. De acordo com ele, há casos em que é necessário sair correndo atrás das pessoas que tentam fugir sem pagar a conta.
“Tem briga de marido e mulher”, relata Rosana Costa. Em estabelecimentos que não têm profissionais de segurança, são os próprios atendentes – garçons e caixas – que têm de apartar as brigas.
“O lugar que eu mais me divirto é aqui. Trabalhando”, diz empolgado o barman Roque Constante, que, durante o dia, tem um emprego fixo e registrado. Para ele, servir as pessoas que estão se divertindo é muito contagiante.
Entretanto, para quem limpa o final da festa, a coisa não é assim tão empolgante. Nadir Barzer, que é funcionária freelancer e recebe 40 reais por dia para limpar uma danceteria, conta que, de manhã, encontra muitas coisas desagradáveis. “Já achei de tudo aqui. Desde brinco, tênis, banheiro imundo e todo quebrado até camisinha usada”.
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