O trabalho do freelancer

Por Aline Brandalise, Fabiana Genestra, Felipe Ribas e Juliane de Oliveira

Sindehtur1-24-01-10.JPGO maior problema apontado pelo Sindehtur em relação às casa de diversão de Ponta Grossa é que a maioria dos profissionais desta categoria trabalham como freelancers. Ou seja,  não têm carteira assinada, recebem por dia trabalhado e não contribuem com a Previdência. Por este motivo, estas pessoas perdem diversos direitos e benefícios, como licença maternidade, auxílio doença e aposentadoria.

“Eu lamento esta realidade. Mas essa classe é bem distante aqui do Sindicato”, afirma o presidente do Sindehtur, José Guimarães (foto). Segundo ele, a maioria dos profissionais só trabalha como freelancer devido á falta de vagas no mercado de trabalho. 

Jean Felipe Miller, que trabalha à noite como barman e de dia como segurança, conhece bem a dificuldade que é arranjar emprego nos dias de hoje. “Na noite, trabalho como “freela” e, de dia, com carteira assinada, mas já houve épocas em que só trabalhava à noite.”

Ele conta ainda que a necessidade é determinante para uma pessoa aceitar o trabalho como “freela”. “Está cada vez mais difícil arranjar emprego e só recusa um trabalho sem carteira assinada quem não tem necessidade. Quem precisa de dinheiro aceita. É melhor do que ficar sem dinheiro algum”, conclui Jean.

Pesquisas realizadas pela Universidade de São Paulo (USP) mostram que o perfil das pessoas que trabalham como freelancers é de jovens, de 18 a 26 anos, solteiros e que moram com os pais.

Pamela Pietrobelle se encaixa perfeitamente neste perfil. A jovem, que mora com os pais e faz faculdade, trabalha como “freela” em uma boate da cidade há pouco mais de três meses. “Sou jovem e o meu foco no momento é a faculdade. Lógico que, no futuro, pretendo ter um emprego com carteira assinada e tudo certinho, mas, por enquanto, o dinheiro que estou ganhando me ajuda.”

Outra vantagem que Pamella aponta no trabalho como “freela” é a não obrigatoriedade de horários e dias de trabalho. Ela explica: “Se estou sem vontade de trabalhar, eu não venho, se estou precisando de dinheiro, venho. Assim controlo meu orçamento“.

Sindehtur7-24-01-10.jpgAdriane Lopes (foto), Gerente Executiva da Previdência Social em Ponta Grossa, esclarece que mesmo os freelancers podem pagar o INSS como trabalhadores autônomos. Para isso, caso a pessoa não tenha cadastro no Programa de Integração Social (PIS), ela deve fazer a inscrição junto à Previdência Social através do telefone 135, ou do site do INSS (www.previdenciasocial.gov.br), ou ainda dirigindo-se à agência mais próxima.

Para os que já têm o número do PIS, basta comprar o carnê e preencher com seus dados pessoais e este código. Se não, após ser cadastrado, o segurado terá um número e os procedimentos serão os mesmos.
 
O segurado autônomo poderá recolher o valor correspondente a 20% do salário mínimo, ou seja, 93 reais por mês.  “Desta forma, o trabalhador não perderia direitos como auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria etc”, explica Adriane. Outra opção possível para este trabalhador é recolher 11% do salário mínimo. Nesta modalidade, a aposentaria terá o valor de um salário vigente na época.

É pensando nestes direitos que Nadir Barzer, que trabalha na limpeza de uma danceteria, se esforça e aperta o orçamento para recolher o valor do INSS todo mês. “Eu sempre falo para as minhas amigas: tem que contribuir. A gente não sabe o dia de amanhã. É pouco, mas ajuda.”

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