O trabalho do freelancer
Por Aline Brandalise, Fabiana Genestra, Felipe Ribas e Juliane de Oliveira“Eu lamento esta realidade. Mas essa classe é bem distante aqui do Sindicato”, afirma o presidente do Sindehtur, José Guimarães (foto). Segundo ele, a maioria dos profissionais só trabalha como freelancer devido á falta de vagas no mercado de trabalho.
Jean Felipe Miller, que trabalha à noite como barman e de dia como segurança, conhece bem a dificuldade que é arranjar emprego nos dias de hoje. “Na noite, trabalho como “freela” e, de dia, com carteira assinada, mas já houve épocas em que só trabalhava à noite.”
Ele conta ainda que a necessidade é determinante para uma pessoa aceitar o trabalho como “freela”. “Está cada vez mais difícil arranjar emprego e só recusa um trabalho sem carteira assinada quem não tem necessidade. Quem precisa de dinheiro aceita. É melhor do que ficar sem dinheiro algum”, conclui Jean.
Pesquisas realizadas pela Universidade de São Paulo (USP) mostram que o perfil das pessoas que trabalham como freelancers é de jovens, de 18 a 26 anos, solteiros e que moram com os pais.
Pamela Pietrobelle se encaixa perfeitamente neste perfil. A jovem, que mora com os pais e faz faculdade, trabalha como “freela” em uma boate da cidade há pouco mais de três meses. “Sou jovem e o meu foco no momento é a faculdade. Lógico que, no futuro, pretendo ter um emprego com carteira assinada e tudo certinho, mas, por enquanto, o dinheiro que estou ganhando me ajuda.”
Outra vantagem que Pamella aponta no trabalho como “freela” é a não obrigatoriedade de horários e dias de trabalho. Ela explica: “Se estou sem vontade de trabalhar, eu não venho, se estou precisando de dinheiro, venho. Assim controlo meu orçamento“.
Adriane Lopes (foto), Gerente Executiva da Previdência Social em Ponta Grossa, esclarece que mesmo os freelancers podem pagar o INSS como trabalhadores autônomos. Para isso, caso a pessoa não tenha cadastro no Programa de Integração Social (PIS), ela deve fazer a inscrição junto à Previdência Social através do telefone 135, ou do site do INSS (www.previdenciasocial.gov.br), ou ainda dirigindo-se à agência mais próxima.Para os que já têm o número do PIS, basta comprar o carnê e preencher com seus dados pessoais e este código. Se não, após ser cadastrado, o segurado terá um número e os procedimentos serão os mesmos.
O segurado autônomo poderá recolher o valor correspondente a 20% do salário mínimo, ou seja, 93 reais por mês. “Desta forma, o trabalhador não perderia direitos como auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria etc”, explica Adriane. Outra opção possível para este trabalhador é recolher 11% do salário mínimo. Nesta modalidade, a aposentaria terá o valor de um salário vigente na época.
É pensando nestes direitos que Nadir Barzer, que trabalha na limpeza de uma danceteria, se esforça e aperta o orçamento para recolher o valor do INSS todo mês. “Eu sempre falo para as minhas amigas: tem que contribuir. A gente não sabe o dia de amanhã. É pouco, mas ajuda.”
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