Associações de moradores perdem representação em Uvaranas
Com legitimidade entre os moradores e respaldo do poder público, associações teriam mais forçaCintia Amaro, Cristhiano Correia e Isadora Camargo
| Muitos dos residentes de vilas e núcleos que integram a região de Uvaranas não podem contar com associações de moradores: ou elas não existem ou são desconhecidas. A situação dessas entidades é preocupante no cenário das comunidades de Ponta Grossa, já que elas também não se envolvem para cobrar ações da associação e do poder público. Uma das causas do problema pode ser as parcerias políticas entre essas entidades e o poder público. Sete associações estão irregulares ou sem presidente em Uvaranas EDITORIAL: Prezar pelo envolvimento nas atividades da comunidade | ![]() Moradores do Pimentel sofrem com falta de asfalto e espaços de recreação |
Ronilda dos Reis, que mora há 40 anos na Vila Rubini I, não tem conhecimento sobre a atual presidência da Associação de Moradores da sua vila. “Antes o pessoal divulgava e levava em cada casa papéis com data e horário das reuniões da Associação. Agora isso não tem acontecido, nem conhecer o presidente a gente conhece”, revela a dona de casa.
![]() Sede da Associação do Tarobá com a nova fachada | Assim como Ronilda, moradores de outras regiões de Uvaranas não conhecem as organizações do local aonde habitam. Esse é o caso do Núcleo Pimentel. O presidente da associação, Carlos Eli Candido explica que só está na direção por nenhuma outra pessoa do núcleo querer assumir o cargo. Seu mandato vai até o mês de agosto. |
Como explica a professora do Curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Reidy Moura, a representação das associações ainda é baixa pela falta de envolvimento da população. E isso acontece principalmente pela relação de favor que se estabelece entre associação e governo municipal.
| “As associações perdem o espírito de reivindicação e se limitam a pedir subsídios, como se fosse um favor político e não um dever da administração municipal”, afirma Reidy. De acordo com a professora, o poder público deveria oferecer programas de respaldo às organizações da sociedade civil, pois as associações são responsáveis pela melhoria da qualidade de vida de todos da comunidade e não de um grupo restrito. | ![]() Salão da sede do Parque Tarobá utilizado para festas e bazares |
No entanto, em Uvaranas, algumas dessas organizações tentam ser independentes do auxílio da Prefeitura. O Parque Tarobá é um dos locais onde há uma sede da associação de moradores e atividades semanais regulares, como o clube de mães e o encontro mensal do Conselho Local de Saúde para atrair a participação dos moradores.
| “A gente nunca consegue a ajuda da Prefeitura para arrumar um buraco. Mas, ao mesmo tempo, a gente tenta fazer alguma coisa pra arrecadar dinheiro pra solucionar o problema da nossa comunidade”, diz o presidente da entidade do Tarobá, Pedro Padilha. Para ele, a maior dificuldade é arrecadar dinheiro para o pagamento das contas de água e luz da sede. Uma das soluções encontradas foi alugar a sede para festas de aniversário e bazares para manter as contas da sede em dia. | ![]() Pedro Padilha pretende se candidatar novamente |
A professora Reidy Moura, do Curso de Serviço Social da UEPG, fala sobre as dificuldades e desafios das associações de moradores e sociedade civil em geral. Clique para ouvir.
Próximo bloco:
Acertos e erros em organizações civis de Uvaranas





















