Moradores do Ouro Verde enfrentam dificuldades no acesso à saúde e educação

Por Camila Delgado, Franciely Menezes e Josué Teixeira

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Unidade de Saúde está sobrecarregada,
diz o presidente da Associação de Moradores


EDITORIAL: Minha nada mole vida

As dificuldades para os moradores do Ouro Verde começam cedo.
Os CEMEI’s da região estão lotados.
Há uma única escola que oferece turmas acima da 5ª série, onde faltam espaço e condições físicas adequadas para alunos e professores.
Além disso, não se encontram vagas no posto de saúde, que está sobrecarregado devido ao atendimento a cinco vilas da região, e o CAS mais próximo fica no bairro de Oficinas.



Secretaria de Saúde afirma que sobram vagas nos postos


Quando um morador do Ouro Verde precisa de atendimento médico, deve ir até a unidade de saúde Lauro Muller, que fica no Santa Maria. No entanto nem sempre se encontram vagas. O posto atende cinco vilas da região (Santa Clara, Santa Marta, Santa Tereza, Ouro Verde e DER), a penitenciária estadual e o mini-presídio Hildebrando de Souza.

“É uma unidade de final de linha e está sobrecarregada. Para atender todo mundo, seria necessário aumentá-la”. É o que afirma Marcelo Aparecido de Barros, presidente da Associação de Moradores do Ouro Verde.

Outro problema da unidade é o novo sistema implantado: o “Programa Hora Marcada”. Como já foi noticiado pelo Portal Comunitário, o programa apresenta falhas e não funciona como deveria, causando transtornos à população local.

Quando o caso é emergencial, a situação se agrava, já que este tipo de atendimento é realizado apenas pelos Centros de Atendimento à Saúde (CAS). De acordo com a Prefeitura Municipal, os CAS são instalados ao lado dos terminais de ônibus para que o acesso por parte da população seja facilitado.

No entanto os horários de ônibus no Ouro Verde são escassos. De acordo com o presidente da associação de moradores, são apenas três horários no período da manhã, dois na hora do almoço, três à tarde e um à noite.

Em julho deste ano, cerca de 20 moradores da vila saíram às ruas reivindicando uma equipe de PSF (Programa Saúde da Família) para atender os idosos e acamados da região, mas até agora nada foi conseguido.

A educação é outro grande problema enfrentado pela comunidade do Ouro Verde. As dificuldades começam nos primeiros anos de vida escolar, ainda na educação infantil. Há apenas dois Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEI’s) na região e ambos estão lotados, pois atendem oito vilas do seu entorno.

A falta de vagas se estende pelos demais anos escolares. Há três escolas na região, e apenas uma, o Colégio Estadual Santa Maria, oferece turmas acima de 5ª série. No entanto a escola já não dá conta da demanda, e a estrutura física está em péssimas condições.

OuroVerde3-01-02-10.JPGComo já foi noticiado pelo Portal Comunitário, há alguns meses foi realizado levantamento pela Secretaria Estadual de Educação (SEED), que analisou 43 itens. Desses, 22 estão em condições ruins ou péssimas. Entre eles estão as paredes, laje, fundação e estrutura.

Ciente de todos os problemas da escola mais próxima, Simone Ribas (foto) conta que prefere colocar sua filha numa escola mais distante e pagar o transporte escolar. “É mais longe, mas é melhor pra ela, e com o transporte escolar eu fico mais tranqüila, pois pega e deixa na porta de casa”.

Outro problema é a falta de espaço. Atualmente são 646 alunos divididos em 21 turmas de Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) e Médio. Como não há estrutura física para abrigar todos os alunos num mesmo horário, o Ensino Médio passou a ser ministrado à noite.

Fátima Camargo conta que não dorme enquanto o filho não chega da escola. “Ele vai a pé e tem muita briga de gangue no caminho. Não que ele participe, mas fico com medo. Mas não tem outro jeito, não tem como estudar de manhã nem de tarde, então ter que ser à noite mesmo”.

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