Voluntários enfrentam dificuldades por falta de pessoas interessadas em ajudar

Reportagem e fotos: Alyne Lemes, André Salustiano, Claudia Geisler e Michael Ferreira
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Voluntárias da Pastoral da Criança fazem
a sopa para a Celebração da Vida no
Jardim Paraíso


“Trabalhar voluntariamente é maravilhoso
e muitíssimo gratificante, diz Josefa


Tia Mirna: uma mulher de grande coração

EDITORIAL
“A união faz a força”

Voluntariado é o trabalho desenvolvido por uma pessoa ou um grupo de pessoas que, sem fins lucrativos, tem por maior objetivo o bem estar social.
Importante tanto para quem recebe quanto para quem o realiza, suas definições são previstas em lei pela Constituição Federal e Organização das Nações Unidas. Em Ponta Grossa, a Pastoral da Criança e a ONG Você Consegue, por exemplo, buscam melhorar a vida ou até mesmo lutar pela vida de muitas pessoas. Porém sofrem com a falta de pessoas que contribuam com suas ações.

Voluntários da Pastoral da Criança são pessoas das próprias
comunidades

Cresce a valorização do voluntariado no Brasil e no mundo



O gesto simples de doar parte do seu tempo para fazer algo para o próximo nem sempre é reconhecido pela sociedade. Desenvolver um trabalho voluntário exige amor, doação, responsabilidade e, sobretudo, “vestir a camisa” da causa. Isso porque os voluntários enfrentam muitas dificuldades no dia-a-dia para conseguir ajudar quem precisa. As pessoas que trabalham pelo outro, travam uma batalha para obter recursos, visibilidade e concretizar ações.

Além desses problemas, os líderes de alguns trabalhos sofrem com o baixo interesse da comunidade em ajudar e em ser ajudada. A Pastoral da Criança de Ponta Grossa, que realiza trabalhos com famílias das comunidades carentes, é um exemplo. Seus voluntários trabalham para fornecer a essas famílias um conhecimento básico sobre nutrição e alimentação saudável para as crianças, além de valores familiares e sociais.

A coordenadora da Pastoral na área de Uvaranas, Mirnalene dos Santos, revela que hoje não é fácil encontrar pessoas dispostas a se tornarem voluntárias. “Temos muitas comunidades em que o trabalho não é iniciado porque faltam pessoas para realizar as ações”, diz.

Voluntariado-2-20-12-09.JPGJosefa Schimit (foto), idealizadora da ONG Você Consegue, também enfrenta a falta de colaboração da comunidade. “Trabalhamos com uma equipe pequena, três ou quatro integrantes. As pessoas não querem se envolver, e isso dificulta a realização de ações mais concretas”, salienta Josefa.

A ONG tem como objetivo aumentar o número de pessoas cadastradas como possíveis doadores de medula óssea no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Palestras, esclarecimentos e coleta de sangue para realização do cadastro são as principais atividades. Tudo feito por Josefa. “Existem pessoas que começam a trabalhar, mas logo se dispersam. Para ser voluntário é preciso acreditar na causa”, conta.

Na Pastoral, os números são maiores, nem por isso suficientes. O setor de Uvaranas, por exemplo, conta com 75 líderes, mas, de acordo com Mirnalene, esse número é pequeno, e muitas crianças deixam de receber o atendimento.

“O ideal é que cada líder atenda 15 crianças e, hoje, temos líderes responsáveis por 70. Isso atrasa as atividades, já que, para realizar o atendimento a todos, os líderes demoram mais”, explica.

As dificuldades não abalam quem é voluntário. “Não me pesa em nada o trabalho da ONG. Não desanimo por ter dificuldades, elas só me fazem correr mais atrás”, conta Josefa Schimit, que mantém a ONG Você Consegue com recursos próprios.

“Para manter as atividades tenho dois empregos. Trabalho como diarista em um prédio e uma empresa da cidade. O salário que recebo em um deles vai todo para manter a ONG ativa”, explica Josefa.

Na Pastoral, o recrutamento não para. Mirnalene revela que sempre são realizadas atividades em busca de mais voluntários, como convites nas missas e em atividades realizadas pela Pastoral. Ela conta que existem pessoas que chegam à Pastoral por estarem desempregadas e fazem o trabalho voluntário até conseguir um emprego.

“Às vezes, vem gente ajudar na Pastoral porque está desempregado. E parece uma graça, porque mal começa o trabalho, e a pessoa consegue um emprego. Aí já não tem mais tempo de nos ajudar. Ficamos felizes por ter doado o tempo que teve para ajudar quem precisa”, finaliza.

Leoni Gonçalves Nabozny foi voluntária da Pastoral no Jardim Paraíso por dois anos, mas parou de atuar na comunidade devido a problemas de saúde. “Tive que me afastar, mas tenho muitas saudades, porque acho lindo este trabalho. A Pastoral é tudo para uma criança e para a gestante carente. Depois que surgiu a Pastoral, diminuiu bastante a mortalidade infantil”, relata.

Já Lourdes Pilatti estava há três anos na Pastoral da Vila Ricci e também saiu por problemas de saúde. Ela já havia adiado em um ano sua saída da Pastoral da Criança porque sabe que o trabalho precisa ser realizado na comunidade.

“O trabalho voluntário é importante porque, com ele, é possível ajudar a quem precisa. É um trabalho prazeroso, mas que tem muitas dificuldades. Dificilmente existem pessoas preparadas e dispostas a ajudar, como acontece aqui na Vila Ricci”, finaliza Lourdes.

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