Numeração desordenada das casas causa problemas há décadas na Vila Guaíra

Por Andressa Kikuti, Gabriel Spenassatto e Giovana Oliveira


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Números fora de ordem atrapalham
trabalho dos Correios


Mapas digitais da internet refletem desorganização dos números


EDITORIAL
Desorganização ou descaso?

Problemas com a numeração das casas são corriqueiros em Ponta Grossa. A sequência correta não é respeitada, e não são raras as vezes em que números se repetem numa mesma rua. Na Vila Guaíra, em Oficinas, a situação traz incômodo à comunidade, e confunde entregadores e carteiros. Alguns moradores alegam que a numeração desconexa foi atribuída pela Prefeitura, que, por sua vez, joga a culpa na irresponsabilidade da população. Conforme o Departamento de Urbanismo, não há qualquer trabalho em andamento para corrigir o problema.

Moradores receberam da Prefeitura os números


Comércio tem dificuldades
na hora de fazer entregas



Dona Osmérica do Carmo tem 53 anos e há 39 mora na Vila Guaíra. Ela afirma que, quando chegou ao local, o problema com a numeração incorreta das casas já fazia parte do cenário da vila. “Desde que não tínhamos asfalto, nem linha de ônibus, nem escolas e posto de saúde, a situação já era essa”, conta.

Na Rua Theodoro Sampaio, onde mora, duas casas são identificadas pelo mesmo número: a dela e outra que fica há algumas quadras de distância. O problema, segundo Osmérica, já rendeu várias entregas (de mercadorias e correspondências) trocadas, visitantes perdidos e entregadores de pizza confusos.

E não para por aí: com frequência, a dona de casa também precisa ir buscar a sua correspondência na casa dos vizinhos, levando as deles, que foram parar na sua caixa de correio. “Ainda bem que a gente conhece os outros moradores daqui da vila, mas ainda assim é um transtorno”, declara.

guaira3-29-11-09.jpgOsmérica (foto) não é a única que já passou por desconfortos ocasionados pelo endereçamento confuso da vila. Marlene Cipollari acabou pagando a fatura do cartão de crédito do vizinho por causa da correspondência trocada.

O engano só foi percebido depois. “Quando ele foi quitar sua conta, disseram que já estava pago. Aí é que nós entendemos o que havia acontecido”, declara dona Osmérica sobre o incidente com seus vizinhos.
          
A solução para o problema é evidente: renumerar as casas e fiscalizar a documentação para que não haja mais problemas: responsabilidade da Prefeitura Municipal. Isso facilitaria a vida de carteiros, de entregadores de compras e dos próprios moradores.

Porém a renumeração causaria algumas outras dificuldades, em se tratando de registros, cadastros em lojas etc, que consequentemente deveriam ser modificados. “O problema não é mudar de número, é a burocracia que isso gera”, analisa Osmérica.

Além do transtorno, ela acredita que a mudança de número também teria algum custo - que alguns moradores não poderiam pagar por causa da documentação, que precisaria estar em dia. “Se uma pessoa da rua não pode pagar, aí não dá para mudar, porque o problema continuaria”, lamenta.

Apesar disso, a moradora confessa que gostaria de ver a numeração corrigida, e inclusive afirma que ela e outros moradores já questionaram a Prefeitura sobre o problema.

“A vida toda nós reivindicamos melhorias para o bairro. Nossa luta rendeu asfalto, rede de esgoto, linha de ônibus... Mas esse problema da numeração nós ainda não conseguimos resolver”, finaliza.

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