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Grafite: a arte que se faz nos muros


Ao se pensar o cenário urbano pontagrossense as edificações se destacam. Entre prédios e muros, o concreto revela uma cidade em crescimento, mas também a existência de um grupo que, ‘pintando o concreto’, busca o reconhecimento do grafite como manifestação artística e social.

 

Arte feita com spray e normalmente encontrada em muros, o grafite é um dos pilares do movimento Hip Hop. “O grafite está ligado ao Hip Hop desde o seu surgimento na cultura americana. É uma mídia fortíssima do movimento e ambas correm juntas”, afirma Carlos Alexandre Barbosa, grafiteiro que faz parte do Movimento Hip Hop princesino.

Em Ponta Grossa, apesar da existência de um movimento organizado, o grafite ainda possui pouca visibilidade e apoio. O incentivo vem dos próprios grafiteiros que encontram dificuldades em promover a arte.

“Assim como o pessoal do rap corre atrás pra promover o movimento Hip Hop, também corremos atrás pelo grafite, mas é bem escasso. Tem a questão do material que é caro, e se você der um spray na mão de um adolescente, sem orientação não vai sair boa coisa, então, geralmente, as pessoas têm um pouco de receio em promover o grafite”, afirma Carlos.

Para o grafiteiro Jackson Paes, o grafite está cada vez mais conhecido, e apesar de possuir poucos grafiteiros na cidade e nenhum patrocínio, as oficinas estimulam novos grafiteiros. “

Muitos admiram e estão entendendo o propósito do grafite e a intenção dele. Acho que muitas pessoas estão começando a grafitar porque temos projetos sociais de grafite como o ‘Transformando Gerações’, que é um projeto gratuito para a comunidade com oficinas de grafite e rap. Isso para nos é um incentivo para divulgar a nossa cultura.”

Como um dos elementos do Hip Hop mais presentes no dia a dia da população, o grafite é um dos mais “controversos” da cultura Hip Hop. Apesar de muitos o definirem como uma ‘degradação da paisagem’, ele é considerado uma ‘arte urbana’.

“O grafite é uma expressão livre da arte. É uma forma de se manifestar e interferir visualmente na cidade. Só não tem como dizer que ele é uma forma artística consolidada, porque sempre vai estar ligado à ilegalidade e à transgressão”, diz Carlos.

Segundo ele, a concepção do grafite como vandalismo está em sua essência como manifestação transgressiva que, através de uma linguagem intencional, se utiliza do espaço público como forma de intervenção direta na cidade.

“O grafite pode ser considerado um movimento artístico, mas nunca vai deixar de ser o que é, uma arte transgressora. Essa é sua forma de criar um diálogo com a população, para que ela  seja atingida pela imagem e pela ideia passada na parede. Por isso também é uma arte democrática”, explica.

Para Jackson, o grafite muitas vezes é confundido com a pichação o que faz com que as pessoas o olhem como vandalismo. “Na verdade tudo tem a mesma origem, mas hoje isso é diferenciado, sempre procuramos um lugar autorizado pra fazer o nosso trabalho e sempre procuramos fazer da maneira mais correta pra divulgar nosso trabalho artístico.”

Diferente da pichação, que, normalmente, apenas demarca territórios, o grafiteiro requer locais com maior circulação de pessoas, para que o máximo delas apreciem sua arte. Segundo Carlos, a idéia de arte transgressora está no fato de que, normalmente, para esses locais, autorizações são necessárias.

“Tem vários lugares em Ponta Grossa que seriam ótimos ter o grafite, mas que seriam impossíveis. Tem lugar que você é louco pra pintar algo, mas não tem autorização, aí que vem a transgressão. Eu procuro não pegar esses lugares pra não criar problemas, mas tem muita gente que faz isso, diz.

Inicialmente utilizado como assinatura pessoal, o grafite se popularizou em meados da década de 1960, quando os jovens dos guetos novaiorquinos passaram a ‘pichar’ muros como forma de participação e resistência na sociedade. Hoje, essa prática está tão dissolvida nas culturas urbanas pelo mundo que se desprenderam de seu local de origem.

“Apesar de termos gírias americanizadas em todos os elementos do Hip Hop, como B-boy, pra designar o dançarino, MC, DJ, e outras no grafite, o grafite brasileiro é autêntico ao máximo. O Hip Hop em geral não foi criado por americanos legítimos, e sim criado nos guetos onde havia latinos e negros. Era uma cultura variadíssima. Não tem como dizer que o que a gente faz é americano porque na verdade é uma mistura de todas as coisas”, diz Carlos.

Segundo ele, a cultura Hip Hop ganhou destaque nos últimos anos, o que criou uma moda do Hip Hop, e do grafite. “Da mesma maneira que o Hip Hop está sendo jogado diariamente na mídia, na MTV e VH1, com os rappers gringos, agora está na moda pegarem grafiteiro para colocar em galeria”, comenta.

Para ele, ao mesmo tempo em que é  passageira, a exposição do grafite em galerias o valoriza. “Se o grafiteiro pinta a vida inteira apenas na rua nunca vai ganhar dinheiro. É um benefício, mas com certeza é passageiro, logo virá algo pra substituir isso ai, e os que sobrarem serão os que realmente estão ali pelo gosto ao Hip Hop”.

De acordo com o grafiteiro Bruno, o grafite está saindo cada vez mais da ruas, e indo, além das exposições, para as casas. “Vem das ruas devido ao movimento Hip Hop e hoje em dia não só está sendo da rua, como está sendo domesticado, apesar de que grande parte dos grafiteiros não queiram que isso aconteça já que é um movimento de rua mesmo. Cada vez mais está em galeria, exposição, e cada vez mais indo para as casas das pessoas”.

Bloco anterior: Break: quebrando barreiras com dança

Leia o Editorial: Preconceito é falta de conhecimento sobre o Hip Hop

 

Comentários   

 
0 #2 Nadia 23-04-2014 13:30
Oi gostaria de ter contato com os grafiteiros ....é projeto escolar.
Obrigada
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0 #1 Marcelo 16-09-2013 20:37
Tenho um muro para ser grafitado, dá 13largura por 2,50 de altura, aí , tô a fim de tema futebol video game, poderá mesclar com símbolos militares, movimentos hip hop na minha área de lazer sou game vício ,as tintas é por minha conta blza.
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