Em 1695, no dia 20 de novembro, morria o maior símbolo da luta do negro contra a escravidão. Zumbi dos Palmares foi o último dos líderes do maior quilombo do período colonial brasileiro.

Em reconhecimento ao papel exercido por ele, essa data foi escolhida para a celebração do Dia Nacional da Consciência Negra, remetendo, dessa forma, à resistência do negro contra a escravidão.

Segundo Matilde Ribeiro, ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, foi em 1971 que a data da morte de Zumbi foi revelada. No entanto, somente em 1978 Zumbi foi reconhecido como um herói nacional por sua vinculação à resistência do povo negro.

“Passados sete anos dessa descoberta, ativistas negros, reunidos em congresso do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, cunharam o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra”, explica a ministra no site da secretaria.

Porém, apenas 30 anos depois, a data foi sancionada juridicamente. É a Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2001, que sanciona o ‘Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra’. São apenas dois artigos: o primeiro institui a comemoração e o segundo afirma que “esta Lei entra em vigor na data de sua publicação”.

A data foi oficialmente instituída como feriado, a partir de decretos estaduais, em Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro. As outras regiões dependem de decisões da administração municipal para ser decretado feriado ou não. Em todo o país, em média, mil cidades adotam esse recesso - e Ponta Grossa não é uma delas.

“Um dia dedicado à reflexão da inserção do negro na sociedade não é suficiente para causar uma grande transformação na sociedade. Claro que este dia traz consigo uma carga histórica de luta de movimentos negros, mas não vejo que traga um avanço para as pessoas em geral”, opina o professor de História, Marcos Phelipe Trancoso.

Para ele, a validade da causa se dá com mudanças mais objetivas e não apenas com uma data especial. “Eu, como professor de História de ensino fundamental e médio, tento trabalhar com a temática o máximo possível, não apenas na semana do 20 de novembro como é de praxe em muitos lugares”, destaca.

“A história do negro não é uma peça de teatro que se encerra quando a cortina da abolição se abaixa. Ela continua nos bastidores de anos de lutas para tentar resolver os problemas remanescentes histórico-sociais”, reflete Marcos.

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